Previsão Eleitoral – Margem mínima

Previsão Eleitoral – Margem mínima

Faltam 46 dias para as eleições americanas deste ano. Depois de um bump pós-convenção, Hillary Clinton tem descido gradualmente nas sondagens – uma queda que se acentuou depois do fim-de-semana do “basket of deplorables” e da pneumonia viral que a afectou, divulgada pela campanha da democrata apenas após a candidata ter sido obrigada a abandonar uma cerimónia de tributo do 11 de Setembro por se sentir mal.

No cálculo ‘polls-plus’ do site FiveThirtyEight, Hillary Clinton chegou a atingir 79,5% de probabilidades de vencer a eleição de 8 de Novembro. Agora está nos 59,3%. É o valor mais baixo para a democrata desde o início do registo presente no FiveThirtyEight.

Olhando para a sondagens estado por estado, as coisas não melhoram muito. A Carolina do Norte, um estado que Clinton tornou competitivo durante o Verão, está agora de volta ao campo Republicano. A Florida está inclinada, por alguma margem, a votar em Donald Trump.

Neste momento, segundo as sondagens, Clinton vence por um estado, e o estado que lhe dá a vitória é New Hampshire. A margem eleitoral é, no entanto, bem mais pequena do que em qualquer altura desde o início da campanha para estas eleições. Trump continua a ser candidato a vencer um dos estados do Rust Belt – o cinturão industrial. E se o fizer – basta-lhe ganhar um deles, entre Minnesota, Michigan ou Wisconsin – será ele a tomar o juramento da Presidência dos Estados Unidos na escadaria do Congresso no dia 20 de Janeiro de 2017.

Há um conjunto de estados que são neste momento considerados competitivos – battleground states, como se diz pelos EUA – e que podem ser decisivos para o resultado desta eleição.

Do lado Democrata, e do mais seguro para o menos seguro, eles são o Minnesota, a Virginia, o Wisconsin, o estado de Michigan, a Pensilvânia, o Colorado e New Hampshire.

Do lado Republicano, pela mesma lógica, encontramos o Ohio, a Carolina do Norte, a Flórida e o Nevada.

Se tudo se mantiver assim, Hillary Clinton será presidente. A posição da candidata é, no entanto, precária. A sua margem de manobra é, neste momento, quase nula. Os tradicionais swing states estão actualmente todos inclinados a favor de Trump. Consequência? Se Clinton perde um estado azul, como um dos estados do Cinturão Industrial, e não ganha nenhum estado vermelho, como a Flórida, fica com menos de 270 votos eleitorais – e fica em casa no dia 20 de Janeiro de 2017.

O luxo a que Clinton se deu, no pós-convenções, de parar todos os anúncios e operações de média em alguns estados, já não lhe é mais permitido. A democrata lidera solidamente nos estados em que precisa de vencer. Porém, se algum imprevisto inverter a tendência de voto de um desses estados, será uma corrida maluca para tentar recuperar os votos eleitorais perdidos. E num ano destes, em que o comportamento do eleitorado está diferente do normal, qualquer erro numa sondagem tem maior probabilidade de afectar Clinton.

Na próxima segunda dá-se o primeiro de três debates presidenciais entre Hillary e Trump. É Outono. Começou a fase final da campanha, e daqui a nada apenas um mês nos separará do dia decisivo.

Para já, tudo o que se pode concluir é que já houve mais certezas sobre esta eleição do que há agora.

Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *