Previsão Eleitoral – Após o primeiro debate, Clinton recupera terreno

Previsão Eleitoral – Após o primeiro debate, Clinton recupera terreno

O plano era só voltar às previsões quando todos os debates presidenciais estivessem concluídos. Porém o debate de segunda-feira causou uma mudança tal na tendência inscrita nas sondagens que fazer outra previsão tornou-se imperativo, mais não seja apenas pelo propósito de tomar nota do que se passa nesta altura da campanha.

Na previsão da semana passada descrevi a precariedade da liderança da democrata nas sondagens, assim como a forma como qualquer tropeço da sua candidatura poderia despoletar uma corrida maluca para recuperar terreno.

O cenário é agora muito diferente. Anteriormente ao debate, Clinton teria apenas 273 votos eleitorais. Na segunda-feira, poucas horas antes do encontro entre os candidatos, uma série de sondagens virou as previsões bem a favor de Trump – o now-cast do FiveThirtyEight dava a vitória ao republicano. Com a divulgação das primeiras grandes sondagens pós-debate – e uma semana em que Trump foi inundado de notícias negativas – as sondagens voltaram aos valores anteriores ao mau fim-de-semana de Clinton – aquele do “basket of deplorables”, do desmaio na cerimónia a 11 de Setembro e da pausa por causa de uma pneumonia.

Vermelho virou azul… de novo

A Flórida, ‘the swingingest of swing states’, voltou a favorecer, ainda que ligeiramente, Clinton ao invés de Trump. O Nevada voltou a ser terreno azul, mas também aí a margem com a qual a democrata lidera é pequena, e

Na Carolina do Norte – bastião republicano que está, com o passar dos anos, cada vez mais roxo – a democrata também voltou a liderar as sondagens, ainda que por uma margem mínima e nada segura. Talvez mais importante seja o maior fôlego que Clinton tem agora nos estados do Cinturão Industrial, uma região repleta de trabalhadores fabris – blue collar, no jargão político – captivados pelo discurso anti-trade de Donald Trump.

Assim, numa previsão mais modesta, Clinton consegue mais 29 votos eleitorais – os da Flórida – conseguindo ainda assim muita maior margem de manobra que aquela que tinha na semana passada. Importa agora solidificar essa mesma margem e fazê-la crescer, para que o dia de eleições não tenha sobressaltos.

Máquinas bem oleadas para o dia 8 de Novembro

Algo que tem de já estar solidificado por esta altura é a operação get-out-the-vote de cada campanha, com dados dos eleitores dos vários estados para garantir que ninguém fica em casa na hora de votar, e que a eleição não é perdida porque partes de cada grupo do eleitorado não quiseram ir votar.

No caso de Clinton, este operação será importante para motivar os jovens democratas a ir votar. Este grupo do eleitorado democrata foi acordado com Barack Obama e verdadeiramente entusiasmado com Bernie Sanders, mas Hillary Clinton é alguém que não entusiasma os jovens. Isso pode significar que Clinton, caso não os motive a ir votar, perde um grupo muito importante no seu eleitorado não para Donald Trump, mas para a abstenção.

Já no caso de Donald Trump, esta operação será muito importante para motivar os tais trabalhadores fabris do Cinturão Industrial a ir às urnas. Como escreveu David Wasserman no FiveThirtyEight, esta faixa demográfica é a que está mais do lado de Donald Trump, e seria essencial numa potencial vitória do candidato republicano. Mas primeiro, estes votantes têm que se registar, e nada indica que o estão a fazer na proporção que daria a Trump uma vitória.

Já agora, fica registado que a operação get-out-the-vote da campanha de Trump era inexistente até há poucas semanas.

O próximo debate dá-se no próximo Domingo, dia 9, em formato town-hall, com perguntas de votantes indecisos feitas pelos próprios votantes aos candidatos. Até lá há debate vice-presidencial entre Tim Kaine e Mike Pence esta terça-feira.

Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *