Comissário.

Esta foi uma aventura a solo que durou quase sete anos.

Começou a 16 de Outubro de 2009. Nesse dia criei o Potenza Blog de F1 – sim, sim, foi mesmo esse o primeiro nome… não gozem – um blogue com o pressuposto de acompanhar a Fórmula 1, desporto que eu seguia (e ainda sigo) afincadamente.

As primeiras publicações foram, claramente, amadoras. As notícias tinham uma escrita básica e os textos de opinião… bem, conseguiam ser parvos. Mas, no meio da brincadeira, algumas coisas começaram a ser sérias. Fui, por exemplo, o primeiro em Portugal a publicar a notícia de que a Mercedes tinha comprado a BrawnGP, regressando depois de mais de 50 anos à Fórmula 1.

Assim foi o início da vida do que era na altura o Potenza Blog de F1. Em 2010 e no início de 2011 acabei por abandonar um bocado o blogue, não lhe dedicando tempo nenhum. Reverti isso nesse Verão, no entanto, com publicações regulares durante os dias. Em retrospectiva, foram provavelmente um exagero. Mas o certo é que ajudaram a que o blogue ganhasse notoriedade na comunidade.

Em 2012 o blogue, já com página no Facebook, teve mais publicações regulares, acompanhando os Grandes Prémios e eventos da temporada, incluíndo as movimentações do mercado de pilotos e as dificuldades de algumas equipas, assim como fiz pontos de situação, que davam conta de que equipa estava onde em relação aos seus rivais. Na segunda metade do ano o blogue teve acrescentada visibilidade à custa do sucesso de António Félix da Costa, que foi ‘pescado’ pela Red Bull Junior Team e teve um final de temporada fantástico, em que apenas não venceu a GP3 Series por uma falha mecânica na última corrida, e venceu várias corridas da Fórmula Renault 3.5, tendo entrado no campeonato a meio do ano. O ‘Formiga’ venceu ainda o GP de Macau de Fórmula 3, tornando-se candidato a subir à Fórmula 1.

Em 2013 a estratégia foi a mesma, com uma pequena mudança: procurei – e obtive – acreditações de todas as equipas de Fórmula 1 na altura (excepto a então Marussia, agora Manor, falida, que me disse que não dariam acesso aos seus materiais de imprensa a um “pequeno e irrelevante blogue português”… no entanto a Ferrari, Mercedes, McLaren e Red Bull não tiveram problema em dar-me precisamente esse acesso) e da federação internacional (FIA), assim como de muitos outros campeonatos e competições: 24 Horas de Le Mans, WEC (na altura ILMS), DTM, WTCC, World Series by Renault, etc. Acompanhei também em maior detalhe António Félix da Costa durante o ano, antecipando uma possível ida para a Toro Rosso em 2014. Essa ida acabou por não se concretizar, preterido que foi o piloto de Cascais pelo russo Daniil Kvyat… que por lá anda a penar.

Um ponto alto do blogue nesse ano de 2013 foi o artigo sobre o grafeno e as potencialidades para a Fórmula 1, elaborado depois de contactos com vários engenheiros de equipas de Fórmula 1 através de mensagens privadas no Twitter. O artigo foi, de longe, o que obteve mais visualizações em toda a história do blogue.

Em 2014 o blogue passou a ter menos publicações. Deixou de haver resumos regulares das corridas e sessões de qualificação, que passavam a ser acompanhadas com printscreens na página do Facebook – ou não eram acompanhadas de todo. O ano terminou com uma série de artigos chamada ‘Fórmula 1: Problemas e Soluções‘, nascida em grande parte da frustração com uma Fórmula 1 parada perante os seus problemas e presa no século passado, recusando divulgar-se a si mesma e a expandir o seu público, sendo o único objectivo o lucro rápido.

Em 2015, a filosofia de publicações foi largamente a mesma, mas o nome mudou. Decidi chamar ao blogue ‘Comissário.’ e mudar a imagem do mesmo para algo mais moderno.

Em 2016, o plano era diferente. Agora que já percebia alguma coisa de jornalismo de forma mais profunda, o objectivo era fazer algo que ninguém cá em Portugal faz para a Fórmula 1, ou desportos em geral: jornalismo de dados. Isto começou bem, com uma análise da quilometragem que cada equipa fez nos testes de pré-temporada. O trabalho seguinte teria sido o de, analisando os números da quilometragem das equipas nos testes de pré-temporada e cruzando-os com os resultados nas corridas, perceber se uma maior quilometragem nos testes de pré-temporada é ou não um factor que permita prever o sucesso de uma equipa na temporada correspondente.

Este trabalho foi iniciado… mas nunca acabado. Outros projectos de trabalhos de dados para o blogue caíram por terra, à medida que a falta de tempo para o blogue foi sendo maior. O plano de migrar o blogue para o WordPress e assim estender o cuidado com a imagem ao próprio blogue. Até a página do Facebook foi sendo descuidada… e a 31 de Agosto de 2016, decidi encerrar o blogue definitivamente, frustrado por não ter conseguido fazer o que queria com ele.

Podem consultar em comissarioponto.blogspot.pt todo o arquivo do blogue desde o seu início. É um pouco uma mostra da evolução que fui tendo ao longo do tempo. Pena é o que ficou por fazer.